terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

De Habitatio - Glossário.

Habitatio — Mini-Tratado Terminológico

Índice

De Ente ut Actu Necessario
De Campo Ontologico (A)
De Subiecto Participativo (B)
De Potentia Configurationali
De Actualizatione
De Configuratione
De Compatibilitate Teleologica
De Habitabilitate Structurali
De Veritate
De Hierarchia Ontologica
De Ascensione Ontologica
De Transitione Ontologica
De Responsione Proportionali Campi
De Illusione
De Profunditate Teleologica

HABITATIO — GLOSSÁRIO TÉCNICO OFICIAL.

1. Ser enquanto Ato Necessário
Definição:
Fundamento ontológico absoluto, plenamente atual, não contingente, não composto, que sustenta a unidade do campo ontológico.
Propriedades técnicas:
Não contém potência.
Não depende de outro.
É princípio de inteligibilidade e unidade.
Sustenta teleologia intrínseca do campo.

2. Campo Ontológico (A)
Definição:
Estrutura participada sustentada pelo ato necessário, contendo todos os estados e relações ontologicamente possíveis dentro do sistema.
Distinção interna:
A₁: Estrutura fundamental estável (leis físicas, estrutura causal básica).
A₂: Estrutura relacional dinâmica (configurações históricas e sociais).

3. Sujeito Participativo (B)
Definição:
Subconjunto estrutural de A dotado de interioridade configuracional, capaz de atualizar potências segundo graus variáveis de compatibilidade.
Propriedades:
Não é autônomo ontologicamente.
Possui núcleo configuracional estável.
Opera dentro dos limites estruturais de A.

4. Potência Configuracional
Definição:
Conjunto de possibilidades estruturais de atualização interna de B permitidas pela estrutura de A.
Formalmente: 
Não implica criação de novas realidades, mas atualização de possibilidades já inscritas.

5. Atualização
Definição:
Transição de uma potência configuracional para um estado atual dentro dos limites estruturais do campo ontológico.
Formalmente: 
Subordinada à direcionalidade fundante.

6. Configuração
Definição:
Estado estrutural atual de B resultante da integração de suas atualizações de potência.
Representação: 

7. Compatibilidade Teleológica (Φ)
Definição:
Função que mede o grau de consonância estrutural entre configuração de B, estrutura de A e direcionalidade fundante.
Formalmente: 
Não é psicológica. É estrutural.

8. Habitabilidade Estrutural
Definição:
Condição de estabilidade configuracional que permite a permanência de uma configuração sem gerar contradição estrutural profunda.
Necessária para realização da verdade. Não suficiente para garanti-la.

9. Verdade
Definição:
Consonância ontológica estrutural entre estrutura cognitiva de B e estrutura ontológica de A sob a ordem do ato necessário.
Condições:
Correspondência ontológica.
Integração habitável.
Profundidade teleológica crescente.

10. Hierarquia Ontológica
Definição:
Estrutura graduada de participação no ato necessário, determinada pelo grau de formalidade e integração configuracional.
Critério: Maior integração → maior participação → maior grau ontológico.

11. Ascensão Ontológica
Definição:
Aumento do grau de participação de B na ordem fundante, decorrente de incremento mensurável de compatibilidade teleológica.
Formalmente:
Possibilidade estrutural necessária.

12. Transição Ontológica
Definição:
Alteração de estado configuracional que produz mudança de posição relacional hierárquica dentro do campo A.
Não é troca de realidade. É reorganização formal dentro do mesmo campo ontológico.

13. Resposta Proporcional do Campo
Definição:
Reorganização relacional estrutural de A₂ proporcional ao grau de alinhamento configuracional de B.
Não altera A₁. Não viola leis físicas. É consequência necessária da teleologia intrínseca.

14. Ilusão
Definição:
Configuração estruturalmente instável ou teleologicamente desalinhada que pode apresentar estabilidade superficial, mas não integra-se progressivamente ao campo ontológico.

15. Profundidade Teleológica
Definição:
Capacidade de uma estrutura cognitiva integrar-se progressivamente ao campo ontológico sem gerar contradição estrutural acumulativa.
Critério distintivo entre verdade e ilusão estável.



Aprofundamento do Glossário:


1. De Ente ut Actu Necessario
O Ser enquanto ato necessário é o fundamento absoluto do sistema. Ele não é contingente, não é composto e não contém potência não atualizada. É princípio de unidade e inteligibilidade do campo ontológico, garantindo que a realidade não seja fragmentária nem arbitrária.
Sem essa afirmação, o sistema perderia base ontológica forte. O ato necessário sustenta a unidade estrutural de A e torna possível a teleologia intrínseca que organiza as relações participativas. Ele não compete com os entes; ele os fundamenta.

2. De Campo Ontologico (A)
O campo ontológico é a totalidade estruturada dos estados e relações possíveis sustentados pelo ato necessário. Ele possui estrutura fundamental estável (A₁) e dimensão relacional dinâmica (A₂), distinguindo leis universais de configurações históricas.
A unidade do campo não é produzida pelas partes, mas participada do fundamento. Todas as configurações ocorrem dentro dele; nenhuma o substitui ou transcende ontologicamente.

3. De Subiecto Participativo (B)
O sujeito participativo é subconjunto estrutural do campo ontológico dotado de interioridade configuracional. Ele não é ontologicamente autônomo, mas possui núcleo estável que integra potências internas.
B não cria realidade fundamental; participa dela. Sua liberdade opera dentro dos limites estruturais de A, modulando grau de participação, não alterando o fundamento.

4. De Potentia Configurationali
Potência configuracional é o conjunto de possibilidades estruturais que B pode atualizar segundo as permissões do campo ontológico. Não é indeterminação absoluta, mas conjunto delimitado de virtualidades reais.
Toda potência é ordenada a ato. Sua existência já pertence à estrutura do Ser, ainda que não venha a ser atualizada. A possibilidade é necessária enquanto estrutura, não enquanto realização.

5. De Actualizatione
Atualização é a efetivação de uma potência configuracional dentro do domínio estrutural de A. Trata-se de transição formal de possibilidade a ato, sem criação de nova realidade ontológica.
Ela ocorre sob restrição teleológica e estrutural. Atualizar não significa inventar, mas selecionar e realizar virtualidades já inscritas na ordem do Ser.

6. De Configuratione
Configuração é o estado estrutural atual de B resultante da integração de suas atualizações. É a forma concreta de participação no campo ontológico em determinado momento.
Cada configuração possui grau específico de compatibilidade. Ela pode ser estável ou instável, profunda ou superficial, conforme seu alinhamento com a direcionalidade fundante.

7. De Compatibilitate Teleologica
Compatibilidade teleológica é o grau de consonância estrutural entre configuração de B e a ordem fundante expressa em A. Não é conforto psicológico, mas coerência formal e alinhamento finalístico.
Ela mede integração real e ausência de contradição estrutural profunda. Quanto maior a compatibilidade, maior a estabilidade e a possibilidade de ascensão ontológica.

8. De Habitabilitate Structurali
Habitabilidade estrutural é a condição de estabilidade configuracional que permite permanência sem gerar tensão estrutural acumulativa. Não garante verdade, mas é necessária para sua realização existencial.
Uma ilusão pode ser temporariamente habitável, mas carece de profundidade teleológica. A verdade, quando integrada, torna-se habitável de modo estável e expansivo.

9. De Veritate
Verdade é consonância ontológica estrutural entre forma cognitiva de B e estrutura ontológica de A sob o ato necessário. Exige correspondência real, não apenas coerência interna.
Ela se realiza plenamente quando pode ser integrada habitavelmente e aprofundar participação no Ser. Sem correspondência, há erro; sem integração, há abstração incompleta.

10. De Hierarchia Ontologica
Hierarquia ontológica é estrutura graduada de participação no ato necessário. Os graus distinguem-se por nível de formalidade, integração e interioridade configuracional.
Nem todos os modos são equivalentes. A superioridade é ontológica, medida pelo grau de alinhamento com a ordem fundante, não por convenção cultural.

11. De Ascensione Ontologica
Ascensão ontológica é aumento de grau de participação no ato fundante por incremento de compatibilidade teleológica. Não cria novo fundamento, mas aprofunda integração.
Ela é possibilidade necessária inscrita no Ser. Sua atualização depende da reorganização configuracional de B em consonância com A.

12. De Transitione Ontologica
Transição ontológica é alteração configuracional que produz mudança de posição hierárquica dentro do campo A. Não é troca de mundo, mas reorganização relacional.
Ela ocorre quando há incremento mensurável de compatibilidade. Pode ser gradual ou atingir limiar estrutural abrupto.

13. De Responsione Proportionali Campi
Resposta proporcional do campo é reorganização relacional de A₂ conforme grau de alinhamento de B. Não altera estrutura fundamental A₁ nem leis físicas universais.
Ela é consequência necessária da teleologia intrínseca. O campo não decide; ele responde estruturalmente segundo coerência ontológica.

14. De Illusione
Ilusão é configuração estruturalmente desalinhada que pode apresentar estabilidade superficial. Carece de profundidade teleológica e integração expansiva.
Sua fragilidade manifesta-se quando confrontada com ampliação relacional. Ela mantém coerência restrita, mas não sustenta consonância estrutural crescente.

15. De Profunditate Teleologica
Profundidade teleológica é capacidade de integração progressiva de uma estrutura cognitiva ao campo ontológico sem gerar contradição acumulativa.
Ela distingue verdade de mera estabilidade. Quanto maior a profundidade, maior a participação no ato necessário e maior a consonância estrutural duradoura.

Glossarium Habitatio (Atualizatum)

Ato Necessário (Actus Necessarius) — Fundação ontológica do campo A. A atualidade sustentadora sem a qual nenhum ente finito poderia participar. Não é ente dentro de A, mas condição de possibilidade do próprio campo. Estrutura e teleologia emanam de sua inteligibilidade.

Campo Ontológico (A) — O todo uno que contém a estrutura invariável (A₁) e a dimensão relacional histórica (A₂). Unidade ontológica sustentada por F, não fragmentada nem relativizada. Aqui se dá a participação de todas as realidades finitas sem perda de coerência.

Estrutura de Base (A₁) — Ordem invariável do campo, independência empírica contingente e objeto da investigação científica. Constitui regularidades estruturais do ser que não variam por posição relacional.

Dimensão Relacional Histórica (A₂) — Estrato do campo onde as posições configuracionais de B são atualizadas. É o território onde mundos configuracionais (W) se manifestam, organizados por relações teleológicas.

Participação (Participatio) — Modo de inserção estrutural no campo A. Não é analogia poética, mas dependência ontológica real: um ente existe na medida em que participa da estrutura ordenada por F.

Ente Participativo (B) — Ser finito que, por meio de participação em A, atualiza posições configuracionais em A₂. B não cria campo nem fundamento; reorganiza sua posição relacional.

Mundo Configuracional (W) — Regime dominante de A₂ sob uma configuração particular de B. W não é ontologia autônoma, mas organização relacional predominante dentro do campo uno.

Compatibilidade Teleológica (Φ) — Medida ontológica objetiva de quão bem a configuração de B se ajusta à ordem teleológica inerente a A. Não depende de sensação ou preferência; é relação estrutural real.

Habitabilidade Estrutural (H) — Grau de sustentação de uma configuração sem acumular tensão ontológica que desestabilize A₂. Mundo habitável é aquele que não exige blindagem constante para manter coerência.

Profundidade Teleológica (T) — Capacidade de uma configuração de integrar níveis adicionais da realidade sem autocontradição. Altos níveis de T são expressões de maior consonância estrutural.

Verdade Estrutural (Veritas Structurata) — Conformidade entre configuração cognitiva de B (ou juízo) e a ordem teleológica do campo A. Verdade não é consenso nem utilidade pragmática; é alinhamento ontológico.

Hierarquia Ontológica — Ordem graduada de participação no fundamento F. Não é valor social nem poder, mas proximidade estrutural ao fundamento último. Quanto maior a participação ordenada, maior a estabilidade ontológica.

Fundamento Ontológico Último (F) — A atualidade necessária sustentadora do campo A. Não é ente entre entes; é condição da existência do campo e de sua teleologia. É a fonte única que impede ontologias fragmentadas.

Transição Configuracional — Mudança de regime dominante (W) de B dentro de A₂. Não é salto místico, mas reorganização relacional mensurável por variação de Φ, H e T. O campo permanece idêntico; muda-se a posição de B.

Zona Liminal — Espaço configuracional de indeterminação entre regimes dominantes. Caracteriza-se por empate estrutural, tensão acumulada e deslocamento de centralidades antes da nova estabilização.

Recaídas Ontológicas — Padrões de retorno a configurações incompatíveis estruturalmente:
— por conforto falso (substituição de verdade por facilidade),
— por blindagem (restrição relacional que evita ampliação),
— por retórica defensiva (linguagem usada para mascarar desalinhamento).

Acréscimos Necessários ao Glossarium:

Unidade Ontológica (Unitas Ontologica)
Propriedade essencial do campo A enquanto sustentado por F. Significa que toda multiplicidade configuracional ocorre dentro de uma única ordem do ser. Exclui ontologias paralelas e relativismo estrutural. Não é homogeneidade, mas coesão sustentada.
Por que acrescentar?
Porque o risco de relativismo sempre retorna quando pluralidade de W é mencionada. A unidade precisa ser termo técnico explícito.

Atualidade Sustentada (Actualitas Sustentata)
Modo pelo qual o ser finito existe: não como auto-ato, mas como participação contínua na sustentação do fundamento F. Designa dependência ontológica permanente, não causalidade inicial.
Por que acrescentar?
Porque “participação” pode ser lida como metáfora relacional. Atualidade sustentada explicita dependência ontológica contínua.

Ordem Teleológica Intrínseca (Ordo Teleologicus Intrinsecus)
Estrutura finalística imanente ao campo A. Não é finalidade imposta externamente nem projeção subjetiva. É direção estrutural inscrita na inteligibilidade do campo sustentado.
Por que acrescentar?
Porque Φ depende disso. Sem esse termo técnico, compatibilidade fica solta.

Estabilidade Ontológica (Stabilitas Ontologica)
Capacidade de uma configuração permanecer coerente sob ampliação relacional sem contradição estrutural. Resulta da alta conformidade teleológica e elevada profundidade T.
Por que acrescentar?
Porque estabilidade estava sendo usada implicitamente. Agora ela precisa ser conceito técnico ligado à hierarquia.

Contradição Estrutural (Contradictio Structurata)
Estado configuracional em que B precisa negar aspectos fundamentais de A para manter coerência interna de W. Indica desalinhamento ontológico objetivo.
Por que acrescentar?
Porque sem esse termo, a crítica ao relativismo fica genérica. Contradição estrutural vira critério técnico de falsidade configuracional.

Atualizações e Justificativas:

Participação, antes vaga, agora é função ontológica mínima: condição de existência, não metáfora experiencial.
Compatibilidade (Φ) foi elevada de critério heurístico para medida ontológica formal, integrada à definição de verdade e estabilidade.
Verdade Estrutural substitui qualquer noção discursiva ou pragmática de verdade: não depende de observação coletiva, mas de conformidade teleológica objetivamente mensurável.
Hierarquia Ontológica corrige leituras relativistas: não é simples gradação subjetiva, mas ordenação objetiva de participação.
Fundamento Ontológico Último (F) torna explícita a condição de possibilidade do campo, evitando qualquer regressão metafísica infinita.
Transição Configuracional e Zona Liminal agora são descritas em termos de critérios (Φ, H, T), não termos narrativos.
Recaídas Ontológicas substituem termos anteriores como “crises” ou “quebras” por diagnósticos normativos no espectro participativo.

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