segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aquele pobre garoto apodrece nas esquinas, oh mãe, é apenas por uma hora.
Carros gritam seus nomes em discursos programados,
garotas sem fé levantam suas bandeiras,
é o fim de um novo começo,
com dinheiro na minha mão não passo de uma grande besteira.
Aquela menina se vende no quarto podre, oh mãe, é apenas por um dia.
com um cavalo branco Joana invade a frança,
sem medo de morrer enfrenta os quarenta ladrões,
o farol esta fechado não vale jogar suas tranças,
fique ai presa, suporte os grilhões.
Aquele velho pede esmola no sinal, oh mãe, é apenas por um ano.
Ja se foi a minha fé e com ela meu utimo gole,
não vejo mais as fotos sem lagrimas descer,
parece-me o utimo caso de morte,
antes de um novo sol nascer.
Aquele garoto tecla suas utimas palavras, oh mãe, é apenas por toda a vida.

(Jardel Almeida)

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